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A
definição precisa do que são os alimentos funcionais ou
nutracêuticos não é universal e ainda está sendo
desenvolvida.
A
portaria nº 398, de 30/04/99, da Secretaria de Vigilância
Sanitária do Ministério da Saúde no Brasil diz que "é alimento funcional todo aquele alimento ou ingrediente
que, além das funções nutricionais básicas, quando
consumido como parte da dieta usual, produz efeitos
metabólicos, fisiológicos ou efeitos benéficos à saúde,
devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica”.
Logo,
alimentos funcionais são aquelas substâncias ou parte
delas que ficam entre comida e remédio, entre nutriente e
medicamento. Não apenas os nutrientes tradicionais:
vitaminas, sais minerais, aminoácidos ou ácidos graxos
poli-insaturados. Mas também não-nutrientes como as fibras
e uma ampla gama de substâncias que parecem contribuir para a prevenção ou mesmo cura de doenças, como o licopeno
do tomate, o resveratrol do vinho, os fitoesteróis da
casca da uva.
Digo
parecem contribuir por que os mecanismos de ação não
estão, na maioria dos casos, plenamente conhecidos devido
a biodisponibilidade de cada um. Se usamos o alimento
associado a outro, ou na alteração do ph intestinal, na
falta ou excesso de enzimas eles podem ser parcamente
absorvidos. Além do que a agricultura não é mais a mesma
de antigamente, os solos desgastados e uso de agrotóxicos
não podem nos garantir a presença destas substâncias na
quantidade e qualidade necessárias para que sejam
medicamentos curativos, talvez preventivos.
A
biodisponibilidade está intimamente relacionada com a absorção da substância ativa. “É uma característica do
medicamento administrado a um sistema biológico intacto e
pode ser definida como a quantidade e velocidade na qual o
princípio ativo é absorvido a partir da forma farmacêutica
e se torna disponível no sítio de ação” (CARCAMO, 1982,
LIEBERMAN e col., 1990).
Desde a
infância temos situações clássicas de interações
positivas e negativas entre os nutrientes. Um exemplo
de baixa biodisponibilidade de um alimento muito consumido
na infância: o leite. É uma importante fonte de cálcio, e
se consumido junto ou próximo à ingestão de alimentos
fontes de ferro (carnes, vegetais verdes e feijões),
provoca diminuição da utilização do ferro. Como resultado,
a criança pode ter uma diminuição importante na absorção
do ferro, o que em situações crônicas pode levar à
anemia. Ou seja, essas duas fontes não devem ser
consumidas juntas, as refeições como almoço ou jantar, que
apresentam alimentos ricos em ferro (carnes, feijões e
vegetais verdes), não devem apresentar leite e derivados
com freqüência.
No
entanto existem também as combinações positivas referentes
à mistura de alimentos. O consumo de alimentos fontes de
vitamina C (laranja, limão, acerola), juntamente com
alimentos fontes de ferro (carnes, vegetais verdes,
beterraba e feijões), melhora muito a absorção desse
mineral. Sendo essa mistura é benéfica para o organismo,
atua positivamente na prevenção e até mesmo tratamento da
anemia.
Chamo,
portanto de alimento funcional os alimentos que usamos em
nossa dieta para prevenir doenças. E nutracêutico o uso da
substância ativa na forma manipulada farmaceuticamente
para uso não só preventivo, mas especificamente curativo
dos minerais, vitaminas, aminoácidos... em uma fórmula
adequada a cada pessoa e tomada respeitando a
biodisponibilidade de cada substância evitando-se misturar
em uma mesma tomada substâncias concorrentes, e ao
contrário juntado aquelas que são sinérgicas.
A
medicina atual e especialmente a medicina
antienvelhecimento busca o melhor estado funcional
orgânico e os nutracêuticos são uma forte arma no nosso
arsenal terapêutico. |
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