De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 29,2% das mortes globais - 16,7 milhões - resultam de várias formas de doenças relacionadas ao coração. Daí a necessidade de incluir a medida da obesidade abdominal na lista de exames de rotina feitos em consultórios médicos e até mesmo em casa como mais uma ferramenta de prevenção junto com outros métodos como medida da pressão arterial, por exemplo.
A relação entre a gordura intra-abdominal e o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes vai ser o foco das atenções da campanha deste ano, que pretende alcançar a classe médica e a população em geral, através da conscientização do problema. Onze cidades brasileiras serão palco de ações feitas na segunda-feira, dia 26, com direito a estandes com médicos ou enfermeiros para explicar à população como medir a circunferência abdominal além de dar dicas de prevenção.
A medida é atualmente considerada uma indicação mais precisa do que o cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC). A adiposidade intra-abdominal afeta o metabolismo da glicose, podendo criar níveis anormais de colesterol HDL e triglicérides, já que sua principal ameaça não é a gordura subcutânea, mas a que está localizada na região abdominal e em volta dos órgãos. De acordo com estudos, os valores da circunferência abdominal não devem ultrapassar 80 centímetros em mulheres e 90 centímetros em homens para povos da América Latina.
A pesquisa Shape of the nations mostrou que, no Brasil, a maioria está mais preocupada com o peso do que com a gordura abdominal: 66% controlam o peso pela balança, 6% calculam o IMC e somente 1% mede a circunferência abdominal.
De acordo com o cardiologista Luiz Carlos Bodanese, professor da PUC-RS, a Federação Mundial de Cardiologia está preocupada e comprometida com a população global para melhorar a qualidade de vida e prevenir problemas cardiometabólicos, prescrevendo três preceitos básicos: fazer exercícios físicos, não fumar e controlar o peso.
O endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, considera o excesso de peso mais importante do que o fumo, segundo as estatísticas de fatores de risco de infarto. ''Você até pode ter baixo IMC, mas é sua circunferência abdominal que vai indicar o risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Por isso, a obesidade abdominal passa a ser considerada um fator primário ainda mais importante do que o conjunto de doenças da síndrome metabólica'', diz. O médico ressalta que é possível evitar o número de casos de infarto em até 45% se a obesidade abdominal for combatida. ''Quanto mais se engorda na barriga, maior será o número de citocinas - substâncias que provêm do metabolismo - ruins no sangue. O tecido adiposo dialoga com todo o organismo e produz uma série de substâncias. Os ácidos graxos dentro do abdômen são feitos com mais facilidade. Quando entram em contato com o fígado, a proporção de triglicérides e glicose aumenta e a elevação do nível de insulina no sangue leva ao infarto.''
Geralmente, o acúmulo de gordura na região abdominal é maior nos homens e costuma se mostrar nas mulheres depois da menopausa. ''Quanto mais testosterona produzida, maior a tendência de obesidade abdominal em mulheres. O hormônio cortisol - que aumenta com o estresse do dia-a-dia - também ajuda a condensar gordura nessa região'', ressalta Halpern. Nas crianças, a obesidade abdominal também requer atenção. ''Criança obesa será adulto obeso e provavelmente vai morrer do coração. Sabemos que elas podem ter placas nas coronárias e na aorta e que 25% têm síndrome metabólica, o que é assustador. Por isso, é preciso lembrar que fator de risco é familiar, e não individual'', atenta o médico.
O cardiologista Álvaro Avezum, do Instituto Dante Pazzanese de São Paulo, chama a atenção para o fato de que a maioria dos entrevistados não sabia da importância da circunferência abdominal. ''Mais de 30% dos médicos desconheciam esse fator de risco, enquanto 83% dos homens e 77% das mulheres não sabiam as medidas de suas cinturas. Precisamos conscientizar a população sobre esse fator importante, que é fácil de ser mensurado e que deve ser incluído já como exame obrigatório'', explica.
Além de ser um fator de risco de suma importância para doenças relacionadas ao coração, a obesidade abdominal também aumenta em 30% as chances de desenvolver câncer, principalmente o de intestino grosso, que atinge homens e mulheres obesos. No Brasil, 13% das mulheres são obesas e 9% dos homens sofrem desse mal, crescente entre as populações mais humildes. ''Quanto menor a renda e a escolaridade, mais chances de infarto. O barato acesso ao fast food tem sido um dos responsáveis por esse fenômeno. E isso precisa ser mudado através da conscientização da população e do processo educativo de longo prazo que deve começar na escola, com uma dieta adequada, prática de exercícios e opção por um estilo de vida menos estressante e mais saudável'', indica o cardiologista Luiz Carlos Bodanese.
1- Tire a camisa e afrouxe o cinto
2 - Coloque a fita métrica entre a borda inferior das costelas e a borda superior do osso do quadril
3 - Relaxe o abdômen e expire no momento de medir
4 - Registre a medida Mais informações: http://prevencao.cardiol.br
JB Online
Domingo, 17 / 09 / 2006
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